sexta-feira, 20 de agosto de 2010

SÃO BERNARDO DE CLARAVAL - Amo porque amo!

20 de agosto

Solenidade no Calendário Litúrgico Cisterciense

Hoje é memória litúrgica do grande Bernardo de Claraval, Abade cisterciense, Doutor da Igreja. Apaixonado pelo Cristo, devotíssimo da Virgem Maria, filho fidelíssimo da Igreja, mestre nas Sagradas Escrituras, monge exemplar! Bernardo é conhecido como Doutor Melífluo, pois seu coração e suas palavras são doces como o mel. O seu Comentário ao Cântico dos Cânticos, é puro mel... Mel que vem da doçura do coração de Deus!

D.Henrique Soares da Costa

“O amor basta-se a si mesmo, em si e por sua causa encontra satisfação. É seu mérito, seu próprio prêmio. Além de si mesmo, o amor não exige motivo nem fruto. Seu fruto é o próprio ato de amar. Amo porque amo, amo para amar!

Grande coisa é o amor, contanto que vá a seu Princípio, volte à sua Origem, mergulhe em sua Fonte, sempre beba donde corre sem cassar.

De todos os movimentos da alma, sentidos e afeições, o amor é o único com que pode a criatura, embora não condignamente, responder ao Criador e, por sua vez, dar-lhe outro tanto. Pois quando Deus ama não quer outra coisa senão ser amado, já que ama para ser amado; porque sabe que serão felizes pelo amor aqueles que o amarem.

O amor do Esposo, ou melhor, o Esposo-amor somente procura a resposta do amor e a fidelidade. Seja permitido à amada responder ao Amor! Por que a esposa - e esposa do Amor – não deveria amar? Por que não seria amado o Amor?

É justo que, renunciando a todos os outros sentimentos, única e totalmente se entregue ao amor, aquela que há de corresponder a ele, pagando amor com amor. Pois mesmo que se esgote toda no amor, que é isto diante da perene corrente do amor do outro?

Certamente não corre com igual abundância o caudal do amante e do Amor, da alma e do Verbo, da esposa e do Esposo, do Criador e da criatura; há entre eles mesma diferença que entre o sedento e a fonte.

E então? Desaparecerá por isto e se esvaziará de todo a promessa da desposada, o desejo que suspira, o ardor da que a ama, a confiança da que ousa, já que não pode de igual para igual correr com o gigante, rivalizar a doçura com o mel, a brandura com o cordeiro, a alvura com o lírio, a claridade com o sol, a caridade com aquele que é a caridade?

Não. Mesmo amando menos, por ser menor, se a criatura amar com tudo o que é, haverá de dar tudo. Por esta razão, amar assim é unir-se em matrimônio, porque não pode amar deste modo e ser menos amada, de sorte que no consenso dos dois haja íntegro e perfeito casamento. A não ser que alguém duvide ser amado primeiro e muito mais pelo Verbo”.





Evangelho do Dia


Mt 22,34-40

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 34os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, 35e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: 36“Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”

37Jesus respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!’ 38Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. 40Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.

- Palavra da Salvação.

- Glória a vós, Senhor.

Voto consciente e cidadão

A democracia é o pilar da liberdade e do desenvolvimento de um país. Ela se faz através de direitos, onde todo cidadão pode expressar por palavras e pela sua maior arma, o voto, o destino de seu país, estado ou município através de seus representantes políticos. Porém, um país se torna cada vez mais avançado na democracia quando o cidadão é conscientizado de sua responsabilidade, isto é, sente-se responsável de que seus atos podem transformar a realidade atual para melhor.

No entanto, como disse no inicio, democracia se faz pela liberdade e o respeito a ela e assim, temos de levar em consideração que quando falamos em votos observamos que há vários tipos de eleitores. Porém é fundamental que haja consciência de que, ao escolhermos nossos políticos pelo voto precisamos ganhar com tal escolha e não que apenas uns poucos sejam privilegiados. Temos que deixar de ser egoístas e pensar em toda comunidade.

O fundamental é analisamos o perfil daquele que vem pedir nosso voto. Embora saibamos e vemos tantos políticos que usam do dinheiro público para si próprio e para os seus, não podemos deixar de sentirmos co-responsáveis, pois se eles estão no poder é porque foram colocados por nós, neste sentido também somos responsáveis. No entanto, temos a arma do voto para que, ao escolhermos erradamente certos representantes, possamos corrigir em cada novo pleito eleitoral.

Não se pode escolher um político pelo coração, pela emoção, mas sim, pela razão, olhando sua capacidade administrativa, de persuasão, sua idoneidade, seu passado, seus trabalhos prestados a comunidade. Ele precisa ser alguém que, ao analisarmos, nos sintamos bem representados no sentido coletivo.

Certamente que o candidato que procura conquistar o eleitor com algum beneficio pessoal; seja uma cesta básica, um jogo de camisa, um churrasco, bebidas ou mesmo oferecendo alguma ajuda financeira, não é um bom candidato. Temos de ser conscientes de que tal atitude nada mais é que tentar comprá-lo.

No entanto o eleitor, quando sede a tais propostas está, de certa forma, contribuindo para que sempre tenhamos políticos corruptos e sem compromisso com a sociedade. Ao aceitar tal proposta escusa de políticos, na verdade, ele não deve mais nada, pois já pagou seu voto.

O eleitor tem que ficar consciente de quê este seu voto pode fazer a diferença tirando a oportunidade de um outro político que seja idôneo e que realmente tenha compromisso, não seja eleito.
Enfim, ainda que muitas vezes se vote pela emoção, ou por algum favor, não se pode dizer que não é um voto consciente, porém, ainda que seja consciente não é um voto cidadão, pois é de efeito negativo, isto é, não constrói uma sociedade melhor, nem mais justa onde todos possam gozar de melhor qualidade de vida.

O seu voto, o meu voto, o nosso voto precisa ser consciente e cidadão.







CANDIDATOS - ELEITORES

CANDIDATOS

Candidato Urso: Em campanha, abraça todo mundo. Depois de eleito, só quer saber de hibernar e de pegar para si os 'favos de mel'.

Candidato Jacaré: É muito falastrão e dissimulado. Gosta de pântano e nunca se sabe o lugar (posição) onde está.

Candidato Porco: Suja a cidade com sua estampa, polui o ar gritando o seu nome. Para ganhar votos, esconde a lama na qual gosta de viver.

Candidato Pavão: Vaidoso e bem arrumadinho, quer impressionar pela beleza exterior. Idéias mesmo são poucas e inconsistentes.

CANDIDATO CIDADÃO: Tem história de vida limpa, espírito público e honestidade. Não fica trocando de partido por conveniência e só quer o voto consciente.


ELEITORES

Eleitor Avestruz: Enfia a cabeça em sua 'vidinha', ignora a realidade. Mesmo sem querer, ajuda os políticos corruptos.

Eleitor Cascavel: Tem raiva de política e destila veneno. Age só na emoção, anulando o voto, ou votando em qualquer um, sem critério.

Eleitor Formiga: Só vê o doce, só vota em quem lhe faz agrado. Não cobra o compromisso pelo bem comum.

Eleitor Papagaio: Repete o que houve no rádio ou na TV, sem fazer juízo próprio. Pensa com a cabeça dos outros.

ELEITOR CIDADÃO: Vota com a razão e a convicção. Sabe que seu voto é capaz de mudar a sociedade e pensa sempre no interesse coletivo.





Eleições e Voto Consciente

Urna Eletronica

Importância das eleições, importância do voto consciente, escolhendo um bom candidato

Introdução

É muito comum ouvirmos que todos os políticos são iguais e que o voto é apenas uma obrigação. Muitas pessoas não conhecem o poder do voto e o significado que a política tem em suas vidas.

A importância do voto

Numa democracia, como ocorre no Brasil, as eleições são de fundamental importância, além de representar um ato de cidadania. Possibilitam a escolha de representantes e governantes que fazem e executam leis que interferem diretamente em nossas vidas. Escolher um péssimo governante pode representar uma queda na qualidade de vida. Sem contar que são os políticos os gerenciadores dos impostos que nós pagamos. Desta forma, precisamos dar mais valor a política e acompanharmos com atenção e critério tudo que ocorre em nossa cidade, estado e país.

O voto deve ser valorizado e ocorrer de forma consciente. Devemos votar em políticos com um passado limpo e com propostas voltadas para a melhoria de vida da coletividade.


Como votar conscientemente

Em primeiro lugar temos que aceitar a idéia de que os políticos não são todos iguais. Existem políticos corruptos e incompetentes, porém muitos são dedicados e procuram fazer um bom trabalho no cargo que exercem. Mas como identificar um bom político?

É importante acompanhar os noticiários, com atenção e critério, para saber o que nosso representante anda fazendo. Pode-se ligar ou enviar e-mails perguntando ou sugerindo idéias para o seu representante. Caso verifiquemos que aquele político ou governante fez um bom trabalho e não se envolveu em coisas erradas, vale a pena repetir o voto. A cobrança também é um direito que o eleitor tem dentro de um sistema democrático.


Durante a campanha eleitoral

Nesta época é difícil tomar uma decisão, pois os programas eleitorais nas emissoras de rádio e tv parecem ser todos iguais. Procure entender os projetos e idéias do candidato que você pretende votar. Será que há recursos disponíveis para que ele execute aquele projeto, caso chegue ao poder? Nos mandatos anteriores ele cumpriu o que prometeu? O partido político que ele pertence merece seu voto? Estes questionamentos ajudam muito na hora de escolher seu candidato.


Conclusão

Como vimos, votar conscientemente dá um pouco de trabalho, porém os resultados são positivos. O voto, numa democracia, é uma conquista do povo e deve ser usado com critério e responsabilidade. Votar em qualquer um pode ter conseqüências negativas sérias no futuro, sendo que depois é tarde para o arrependimento.



quinta-feira, 5 de agosto de 2010

VALDI BEZERRA: Santo do Dia

VALDI BEZERRA: Santo do Dia

Santo do Dia


Santo Apolinário

Neste mesmo dia em que comemoramos a dedicação da Basílica de Santa Maria Maior em Roma, lembramos com alegria da vida de santidade do mais antigo Bispo de Ravena: Santo Apolinário. Nascido no Séc. I numa família pagã, foi convertido por Deus em Roma, através da pregação do apóstolo São Pedro.

No tempo de Apolinário o paganismo e sincretismo estavam dominando todo o Império e, por isso, todo evangelizador corria grandes riscos de vida. Com a missão indicando a evangelização do Norte da Itália, foi ele edificar a Igreja de Ravena, a qual tornou-se na Itália, depois de Roma, pólo do Cristianismo.

Por causa de Jesus Cristo e do Seu Reino, lutou contra as tentações, permaneceu fiel, com coragem sofreu e suportou até mesmo as torturas como confessor e, mais tarde, o martírio. Conta-nos a história que diante do Édito de Milão em 313, a Igreja Católica adquiriu liberdade religiosa e com isso pôde livremente evangelizar o Império Romano, assim como venerar seus santos; é deste período que encontramos em Ravena grande devoção ao Santo Bispo do qual celebramos hoje, herói da nossa fé.

Santo Apolinário, rogai por nós!

Evangelho do Dia


Mt 16,13-23

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou a seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” 14Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; Outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”.
15Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. 17Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.
20Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias. 21Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia.
22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!” 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!”

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Cesta básica mais barata


O preço do tomate e do açúcar foram responsáveis pela retração da cesta básica em julho.
O preço do tomate e do açúcar foram responsáveis pela retração da cesta básica em julho.
Pelo terceiro mês consecutivo a pesquisa nacional da sexta básica apontou deflação. A pesquisa foi feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e mostrou que o açúcar e o tomate foram os principais responsáveis pela queda.
A boa notícia é que o Rio de Janeiro registrou a maior queda nos alimentos básicos 6,06%. A capital fluminense, juntamente com Brasília foram as duas únicas cidades, das 17 pesquisadas, que apresentaram retração nos preços acumuladas nos sete primeiros meses do ano.

PT é o preferido dos eleitores

O PT é líder na preferência dos eleitores.
O PT é líder na preferência dos eleitores.
Mesmo com bombardeio de notícias equivocadas, informações distorcidas contra nosso partido e seus integrantes o PT continua sendo preferência entre os eleitores. A conclusão pôde ser tirada a partir de pesquisas feitas por institutos de pesquisas distintos, entre eles o Ibope e o Datafolha (acreditem vocês ou não). De acordo com Ibope, 29% dos eleitores preferem o Partido dos Trabalhadores, enquanto pelo Datafolha 25 e Vox Populi 18%.
Enquanto isso, a oposição amarga um resultado ruim. Melhor para nós. Se temos preferência é que porque nós temos projeto que aproveitamos nosso tempo, quando governamos.
O PT lidera nas cinco regiões do País. Segundo o Ibope, o melhor desempenho é no Nordeste, onde a legenda tem a simpatia de 33% da população. Nas regiões Norte, Centro Oeste e Sudeste, o partido aparece com 29%. No Sul, com 18%. De acordo com o Vox Populi, o partido também prevalece no Nordeste, com 21%. No Centro Oeste e no Sudeste, a legenda soma 18%. No Sul e no Norte, o partido tem 16% e 14%, respectivamente.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

São João Maria Vianney, Presbítero e Confessor (Santo do Dia)

São João Batista Maria Vianney, uma das mais prodigiosas glórias do clero da França, nasceu eCURA D ARS_1.jpgm Dardilly, perto de Lião, no dia 8 de Maio de 1786, tendo sido batizado no mesmo dia.

Filho de Mateus Vianney, agricultor, e de Maria Belusa, teve cinco irmãos, todos consagrados solenemente a Nossa Senhora antes do nascimento. Eram eles Catarina, Joana Maria, que desapareceu aos cinco anos, Francisco, Margarida e um outro Francisco, que cognominaram o Caçula.

Filho de pais cristãos, João Batista desde a mais baixa idade foi piedoso, doce e bom. A mãe, um dia, deu-lhe uma imagem de Maria, e o menino predestinado jamais a largava. Carregando-a respeitosa e ternamente nos braços para onde quer que fosse, muitas vezes, no estábulo, sozinho, sem que o vissem, assim pensava ele, costumava rezar diante dela, demorada, enlevada e compenetradamente, já como um sacerdotezinho.

Logo principiou a ensinar aos companheiros as lições de religião que aprendia dos pais, às vezes mesmo os adultos, muito sério, muito seguro de si mesmo, inspirado.

Com a Revolução invadindo as províncias, viveu dias tristes: as igrejas fechadas, melancolicamente vedadas ao povo, consternavam-no, e os padres, perseguidos, aqueles padres heróicos, destemerosos, que, pela verdade, diziam missas clandestinas no mais espesso dos bosques, dando Jesus aos homens, enchiam-lhe a almazinha de admiração e dum certo desassossego, duma ânsia incontida para as coisas de Deus.

Com efeito, data daqueles tempos agitados, de grandes desordens, de morte, de medo e de fome, o rumo que se propôs tomar: caráter já temperado, teve o zelo dirigido para a salvação das almas, inflamado.

De estranha predileção pelos pobres, pelos abandonados que nada possuem, nem comida nem carinho, reunia-os pelos caminhos, pelos bosques, ao longo dos valados, e, alegremente, levava-os para casa, onde os pais, reputados desde há muito pela caridade, acolhiam a todos os desventurados com um largo sorriso que espantava constrangimentos.

Aos treze anos, com um fervor fora do comum, João Batista radiantíssimo, fez a primeira comunhão. E o bom menino, com Jesus no coração, no coração imenso, dizia baixinho, para si mesmo, como se fora a mais doce das melodias embaladoras:

- Eu serei padre! Eu serei padre! E foi!

Afoitamente, disse-o ao pai, Mas o pai, homem prudente e conhecedor da vida e dos arroubos da juventude, fê-lo esperar dois anos, para observá-lo, para experimentá-lo.

Era nos tempos do Diretório, aquela época de agitação política agravada pela penúria das finanças e da economia nacional, época de dissolução dos costumes, não só porque os homens procuravam nos prazeres o esquecimento das amarguras passadas e dos perigos a que se haviam expostos, como pelo dinheiro que alguns amontoaram com a compra de bens nacionais e com os fornecimentos militares, dinheiro fácil, que levava ao luxo, à ostentação, à vaidade e à depravação.

Afinal, João Batista entrou na escola fundada pelo abade Balley, cura, então, de Ecully. O jovem Vianney foi aluno que fez progressos lentos, embora se esforçasse desesperadamente. E, para obter bons resultados, mortificava-se para conseguir a ajuda do céu. Em 1807, com vinte e um anos, João Batista foi confirmado pelo arcebispo de Lião, o cardeal Fesh, tio de Napoleão.

Aspirante ao sacerdócio, livrou-se do recrutamento militar. Adoentado, vagou de hospital em hospital. De volta aos estudos, fez o primeiro ano de filosofia, de 1812 a 1813, no pequeno seminário de Verriéres.

Seminarista modelo, mas aluno bastante enfermiço, a poder de orações foi conseguindo abrir caminho, até que se viu no seminário maior de Santo Irineu de Lião. Ali, brilhou só pelas virtudes.

Ordenado padre a 13 de Agosto de 1815, por Simão, bispo de Grenoble, estava com vinte e nove anos. Nomeado vigário de Ecully, ali esteve por três anos. Teve então, oportunidade de rever, e com calma, toda a sua teologia.

Designado para Ars, que ficava a trinta e cinco quilômetros ao norte de Lião, chegou no lugar que ilustraria por rígido inverno, aquela Ars que o teria por quarenta e dois anos, ou seja, até o dia em que, deixando a terra, iria para Deus. Era no ano de 1818.

João Batista foi direto para a igreja. Caindo de joelhos, ficou, por longo tempo, abismado em adoração. Os habitantes de Ars, quanto à religião, viviam indiferentes, embora constituíssem boas famílias. João Maria pôs-se imediatamente ao trabalho. E, à ação do santo cura, tudo, a pouco e pouco, foi-se transformando.

Cinco anos depois, Ars apresentava-se com outra fisionomia: o trabalho, que era executado aos domingos, foi totalmente abolido. A blasfêmia, que campeava, louca, pelo lugar, desapareceu. O vício da embriaguez, do qual grande parte dos homens era presa, foi afastado. E as danças inconvenientes, desenfreadas, paulatinamente foram sendo extirpadas do curato. Para ganhar tal batalha, quaSo Joo Batista Maria Vianney_2.jpgnta fadiga, quanto jejum, quanta súplica, quanta oração!

Bem antes do raiar do dia, João Batista levantava-se e ia postar-se diante do tabernáculo. E ali, ajoelhado, silenciosa, ardentemente, rogava ao Senhor, com instância, que lhe convertesse aquelas almas afastadas do aprisco.

Disciplinando-se até o sangue, descansava exposto ao sol, dormia sobre duros sarmentos. E, quando tudo começou a melhorar, eis que, de repente, principiaram as calúnias dos mal formados. Disto, porém, o santo cura devia sair-se perfeitamente bem.

As perseguições dos homens, juntaram-se as do demônio. E a luta que travou com o espírito do mal, terrível, durou-lhe trinta e cinco anos: iniciada em 1824, terminaria um ano antes da morte.
Fantasmas horrendos, balbúrdias infernais, insultantes vociferações horríveis transformaram o curato, durante a noite, num verdadeiro inferno, em medonhos pesadelos de febrentos. Vê-se ainda, em parte, os traços do fogo que lhe destruiu a cama de madeira.

Sustentado, porém por graças divinas, João Batista Maria Vianney saiu vitorioso de todos os assaltos. E a Virgem, cuja imagem embalara na infância, aparecendo-lhe, dulcíssima com ele se entretinha, meigamente encorajando-o. Diz-se de São João Batista Maria Vianney que, ao dizer, todos os dias, a santa Missa, via a Nosso Senhor.

A igreja velha, restaurou-a. Capelas, edificou-as muitas - tudo para honra de Deus e bem dos fiéis. Deus concedeu-lhe o dom dos milagres. E os milagres que operava, atribuía-os à Santa Filomena, sua celeste amiga, chamada taumaturga do século XIX, cuja história principiou a aparecer em 1802, ano em que se lhe descobriram as relíquias na catacumba de Priscila, na via Salária.

Em 1820, Vianney foi nomeado cura de Salles, em Beaujolais, Por toda Ars a consternação foi grande. E o povo, que não se conformava com a idéia de ver o santo homem afastado do lugar, entrou a suplicar para que não o levassem da comunidade. Atendidas as ovelhas, a alegria voltou a reinar em Ars.
Em 1824, uma escola popular gratuita foi aberta pelo bom cura, destinada às meninas. Logo, um orfanato apareceu, contíguo. Trabalhador incansável, ninguém reconhecia na Ars daqueles tempos de São João Batista Maria aquela Ars abandonada, desorganizada e blasfema de outrora.

O programa diário do santo cura era exaustivo: de madrugada, precisamente à uma, ia a igreja para orar; antes da aurora, confessava as mulheres; às seis, no verão, às sete quando no inverno, celebrava a santa Missa; depois da ação de graças, os peregrinos rodeavam-no, implorando bênçãos, curas, palavras de conforto, rumo a seguir, conselhos para os mais variados casos, conversões deste ou daquele ente querido, parente, amigo ou companheiro de trabalho; à dez horas recitava as pequenas horas do seu velho amigo breviário inseparável, depois do que ia sentar-se, novamente . no confessionário; as onze era o catecismo, aquele catecismo que ficou famoso; depois dum almoço, como diríamos nós, de passarinho, era a clássica visita aos doentes, quando, então a multidão se comprimia, afoita, para vê-lo passar, para tocar-lhe as vestes, multidão que o Santo, compadecido pela dedicação que lhe votava, docemente abençoava; depois de ter dito as vésperas e as completas, eis, pela terceira vez, a penumbra ciciante do confessionário, onde, muitas vezes, ficava até altas horas da noite.

Que desvelo para com os pecadores! Quantas conversões muitas das quais, reputadas impossíveis, foram pelo santo cura realizadas! Que dom o de descobrir, entre a multidão amorfa, os grandes pecadores! Chamava-os, então, docemente, e docemente falava-lhes das coisas de Deus, belas, e das coisas do demônio, horríveis.

À oração da noite, tão emocionante, toda gente chorava. Aos domingos, à missa, invariavelmente, pregava. Tão grande era a fila de peregrinos que o buscava, que houve necessidade, um dia, de um padre da vizinhança vir ajudá-lo: era o padre Raimundo que, a partir de 1845, tornou-se vigário.

Em 1850, João Batista Maria foi distinguido com o canonicato: Vendeu, então, a sua murça em proveito dos pobres. Dois anos depois, era agraciado com a cruz da Legião de Honra, o que recusou, uma vez que era necessário aplicar uma soma de dinheiro que preferia ver reservada para esmolas.

Corria o ano de 1853. Quando o Padre Toccanier substituiu o Padre Raimundo como auxiliar de São João Batista Maria Vianney, o santo, desejoso de se retirar para poder "chorar a pobre vida", resolveu deixar Ars.

Foi um episódio pingente! O rebate soou. O povo barrou-lhe a caminho, levou-o à igreja. E o Santo, submisso à vontade So Joo Batista Maria Vianney_3.jpgde Deus, para alívio da multidão, que dava graças ao Altíssimo, continuou no posto, naquele posto que só a morte o havia de afastar. E, quando morreu, a desolação foi indescritível. Era no dia 4 de Agosto de 1859 e estava com setenta e três anos.

Os peregrinos e os paroquianos desfilaram diante do corpo daquele Santo que se fora para o Santo dos Santos por quarenta e oito horas, sem interrupção.

Chegado a mais sublime perfeição, ao mais alto grau de união mística, angélico, só, por toda Ars, se falava das virtudes do bom João Batista Maria, da bondade, paciência, humildade, santidade, desvelo e caridade.

Taumaturgo imenso, o santo cura realizou milagres sem conta para amenizar os sofrimentos corporais e morais, em favor das misérias espirituais. Vivia ainda, e já o povo o proclamava santo.

Enterrado na sua igreja, João Batista Maria Vianney foi declarado venerável a 3 de Outubro de 1872, por Pio IX. Beatificado pelo Papa Pio X, a 8 de Janeiro de 1905, foi instituído pelo mesmo pontífice padroeiro de todos os sacerdotes da França que se encarregam das almas. A canonização ocorreu em 1925, no dia 31 de Maio, alguns dias depois da de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Ars, rapidamente, tornou-se um dos grandes centros de peregrinação. Ali, magnífico santuário foi erigido, e o corpo do Santo, dessecado, mas inteiro, jaz num relicário. O coração, intacto, quando da exumação a 17 de Junho de 1940, é venerado à parte.

(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIV, p. 292 à 299)
 
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Com sua fervorosa vida de oração e seu apaixonado amor a Jesus Crucificado, João Maria Vianney alimentou a sua cotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja. Possa seu exemplo suscitar, no ânimo de cada presbítero, um generoso relançamento desses ideais, ao longo do Ano Sacerdotal.
O Cura d'Ars era humilíssimo, mas consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para o seu povo: "Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina".
Falava do sacerdócio como se não conseguisse alcançar plenamente a grandeza do dom e da tarefa confiados a uma criatura humana: "Oh como é grande o padre! [...] Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. [...] Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do Céu e encerra- Se numa pequena hóstia".
E, ao explicar aos seus fiéis a importância dos Sacramentos, dizia: "Sem o Sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem há de prepará-la para comparecer diante de Deus, lavando- a pela última vez no Sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. [...] Depois de Deus, o sacerdote é tudo! [...] Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no Céu".
Estas afirmações, nascidas do coração sacerdotal daquele santo pároco, podem parecer excessivas. Nelas, porém, revela-se a sublime consideração em que ele tinha o sacramento do sacerdócio. Parecia subjugado por uma sensação de responsabilidade sem fim: "Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. [...] Sem o padre, a Morte e a Paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra [...]. Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, se não houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens [...]. Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. [...] O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós".
Santidade objetiva do ministério e santidade subjetiva do ministro
Tinha chegado a Ars, uma pequena aldeia com 230 habitantes, precavido pelo Bispo de que iria encontrar uma situação religiosamente precária: "Naquela paróquia, não há muito amor de Deus; infundi-lo-eis vós". Por conseguinte, achava-se plenamente consciente de que devia ir para lá a fim de encarnar a presença de Cristo, testemunhando a Sua ternura salvífica: Meu Deus, "concedei-me a conversão da minha paróquia; aceito sofrer tudo aquilo que quiserdes por todo o tempo da minha vida!": foi com esta oração que começou a sua missão. E, à conversão da sua paróquia, dedicou- se o Santo Cura com todas as suas energias, pondo no cume de cada uma das suas ideias a formação cristã do povo a ele confiado.
Amados irmãos no sacerdócio, peçamos ao Senhor Jesus a graça de podermos também nós assimilar o todo pastoral de São João Maria Vianney.
A primeira coisa que devemos aprender é a sua total identificação com o próprio ministério. Em Jesus, tendem a coincidir Pessoa e Missão: toda a Sua ação salvífica era e é expressão do Seu "Eu filial" que, desde toda a eternidade, está diante do Pai em atitude de amorosa submissão à Sua vontade. Com modesta, mas verdadeira analogia, também o sacerdote deve ansiar por esta identificação. Não se trata, certamente, de esquecer que a eficácia substancial do ministério permanece independentemente da santidade do ministro; mas também não se pode deixar de ter em conta a extraordinária frutificação gerada do encontro entre a santidade objetiva do ministério e a subjetiva do ministro.
O Cura d'Ars principiou imediatamente este humilde e paciente trabalho de harmonização entre a sua vida de ministro e a santidade do ministério que lhe estava confiado, decidindo "habitar", mesmo materialmente, na sua igreja paroquial: "Logo que chegou, escolheu a igreja por sua habitação. [...] Entrava na igreja antes da aurora e não saía de lá senão à tardinha depois do Angelus. Quando precisavam dele, deviam procurá-lo lá" - lê-se na primeira biografia. [...]
"Todas as boas obras reunidas não igualam o valor da Missa"
O Santo Cura ensinava os seus paroquianos, sobretudo, com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário para uma visita a Jesus-Eucaristia. "Para rezar bem - explicava-lhes o Cura -, não há necessidade de falar muito. Sabe-se que Jesus está ali, no Tabernáculo sagrado: abramos-Lhe o nosso coração, alegremo-nos pela Sua presença sagrada. Esta é a melhor oração". E exortava: "Vinde à Comunhão, meus irmãos, vinde a Jesus. Vinde viver dEle para poderdes viver com Ele". "É verdade que não sois dignos, mas tendes necessidade!".
Esta educação dos fiéis para a presença eucarística e para a Comunhão adquiria uma eficácia muito particular, quando o viam celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Quem ao mesmo assistia, afirmava que "não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. [...] Contemplava a Hóstia amorosamente".
Dizia ele: "Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do Sacrifício da Missa, porque aquelas são obras de homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus". Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da Missa: "A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à Missa! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra [a Missa] como se fizesse uma coisa ordinária!". E, ao celebrar, tinha tomado o costume de oferecer sempre também o sacrifício da sua própria vida: "Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs!".
"Círculo virtuoso" entre o altar e o confessionário
Por ocasião dos 150 anos da morte do Santo Cura'Ars, um relicário contendo seu
coração ficou exposto na Basílica do Vaticano
Esta sintonia pessoal com o Sacrifício da Cruz levava-o - por um único movimento interior - do altar ao confessionário. Os sacerdotes não deveriam jamais resignar-se a ver os seus confessionários desertos, nem limitar-se a constatar o menosprezo dos fiéis por este Sacramento.
Na França, no tempo do Santo Cura d'Ars, a confissão não era mais fácil nem mais frequente do que nos nossos dias, pois a tormenta revolucionária tinha longamente sufocado a prática religiosa. Mas ele procurou de todos os modos, com a pregação e o conselho persuasivo, fazer os seus paroquianos redescobrirem o significado e a beleza da Penitência sacramental, apresentando-a como uma exigência íntima da Presença eucarística.
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Por ocasião dos 150 anos da morte do Santo Cura d'Ars, um relicário contendo seu
coração ficou exposto na Basílica do Vaticano
Pôde assim dar início a um círculo virtuoso. Com as longas permanências na igreja junto do sacrário, fez com que os fiéis começassem a imitálo, indo até lá visitar Jesus, e ao mesmo tempo estivessem seguros de que lá encontrariam o seu pároco, disponível para os ouvir e perdoar. Em seguida, a multidão crescente dos penitentes, provenientes de toda a França, haveria de o reter no confessionário até 16 horas por dia. Dizia-se então que Ars se tinha tornado "o grande hospital das almas". [...]
Assimilar em si o "novo estilo de vida" inaugurado por Jesus
No mundo atual, não menos do que nos tempos difíceis do Cura d'Ars, é preciso que os presbíteros, na sua vida e ação, se distingam por um vigoroso testemunho evangélico.
Observou, justamente, Paulo VI que "o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres; ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas". Para que não se forme um vazio existencial em nós e fique comprometida a eficácia do nosso ministério, é preciso não cessar de nos interrogarmos: "Somos verdadeiramente permeados pela Palavra de Deus? É verdade que esta é o alimento de que vivemos, mais do que o sejam o pão e as coisas deste mundo? Conhecemo-la verdadeiramente? Amamo-la? De tal modo nos ocupamos interiormente desta palavra, que a mesma dá realmente um timbre à nossa vida e forma o nosso pensamento?".
Assim como Jesus chamou os Doze para estarem com Ele (cf. Mc 3, 14) e só depois é que os enviou a pregar, assim também nos nossos dias os sacerdotes são chamados a assimilar aquele "novo estilo de vida" que foi inaugurado pelo Senhor Jesus e assumido pelos Apóstolos.
Os três conselhos evangélicos, necessários também para os presbíteros
Foi precisamente a adesão sem reservas a este "novo estilo de vida" que caracterizou o trabalho ministerial do Cura d'Ars. O Papa João XXIII, na carta encíclica Sacerdotii nostri primordia - publicada em 1959, centenário da morte de São João Maria Vianney -, apresentava a sua fisionomia ascética referindo-se de modo especial ao tema dos "três conselhos evangélicos", considerados necessários também para os presbíteros: "Embora, para alcançar esta santidade de vida, não seja imposta ao sacerdote como própria do estado clerical a prática dos conselhos evangélicos, entretanto esta representa para ele, como para todos os discípulos do Senhor, o caminho regular da santificação cristã".
O Cura d'Ars soube viver os "conselhos evangélicos" segundo modalidades apropriadas à sua condição de presbítero. Com efeito, a sua pobreza não foi a mesma de um religioso ou de um monge, mas a requerida a um padre: embora manejasse muito dinheiro (dado que os peregrinos mais abonados não deixavam de se interessar pelas suas obras sócio-caritativas), sabia que tudo era dado para a sua igreja, os seus pobres, os seus órfãos, as meninas da sua Providence, as suas famílias mais indigentes. Por isso, ele "era rico para dar aos outros e era muito pobre para si mesmo". Explicava: "O meu segredo é simples: dar tudo e não guardar nada". Quando se encontrava com as mãos vazias, dizia contente aos pobres que se lhe dirigiam: "Hoje sou pobre como vós, sou um dos vossos". Deste modo pôde, ao fim da vida, afirmar com absoluta serenidade: "Não tenho mais nada. Agora o bom Deus pode chamarme quando quiser!".
Também a sua castidade era aquela que se requeria a um padre para o seu ministério. Pode-se dizer que era a castidade conveniente a quem deve habitualmente tocar a Eucaristia e que habitualmente a fixa com todo o entusiasmo do coração e com o mesmo entusiasmo a dá aos seus fiéis.Dele se dizia que "a castidade brilhava no seu olhar", e os fiéis apercebiam- se disso quando ele se voltava para o sacrário fixando-o com os olhos de um enamorado.
Também a obediência de São João Maria Vianney foi toda encarnada na dolorosa adesão às exigências diárias do seu ministério. É sabido como o atormentava o pensamento da sua própria inaptidão para o ministério paroquial e o desejo que tinha de fugir "para chorar a sua pobre vida, na solidão". Somente a obediência e a paixão pelas almas conseguiam convencê-lo a continuar no seu lugar. A si próprio e aos seus fiéis explicava: "Não há duas maneiras boas de servir a Deus. Há apenas uma: servi-Lo como Ele quer ser servido". A regra de ouro para levar uma vida obediente parecia-lhe ser esta: "Fazer só aquilo que pode ser oferecido ao bom Deus".
Saber acolher os Movimentos Eclesiais e novas Comunidades
No contexto da espiritualidade alimentada pela prática dos conselhos evangélicos, aproveito para dirigir aos sacerdotes, neste Ano a eles dedicado, um convite particular para saberem acolher a nova primavera que, em nossos dias, o Espírito está a suscitar na Igreja, através nomeadamente dos Movimentos Eclesiais e das novas Comunidades. "O Espírito é multiforme nos seus dons. [...] Ele sopra onde quer. E fá-lo de maneira inesperada, em lugares imprevistos e segundo formas precedentemente inimagináveis [...]; mas demonstra-nos também que Ele age em vista do único Corpo e na unidade do único Corpo".
A propósito disto, vale a indicação do decreto Presbyterorum ordinis: "Sabendo discernir se os espíritos vêm de Deus, [os presbíteros] perscrutem com o sentido da fé, reconheçam com alegria e promovam com diligência os multiformes carismas dos leigos, tanto os mais modestos como os mais altos". Estes dons, que impelem não poucos para uma vida espiritual mais elevada, podem ser de proveito não só para os fiéis leigos, mas também para os próprios ministros. ComCURA D ARS_3.jpgefeito, da comunhão entre ministros ordenados e carismas pode brotar "um válido impulso para um renovado compromisso da Igreja no anúncio e no testemunho do Evangelho da esperança e da caridade em todos os recantos do mundo".
"Forma comunitária" do ministério ordenado
Queria ainda acrescentar, apoiado na exortação apostólica Pastores dabo vobis do Papa João Paulo II, que o ministério ordenado tem uma radical "forma comunitária" e pode ser cumprido apenas na comunhão dos presbíteros com o seu Bispo. É preciso que esta comunhão entre os sacerdotes e com o respectivo Bispo, baseada no Sacramento da Ordem e manifestada na concelebração eucarística, se traduza nas diversas formas concretas de uma fraternidade sacerdotal efetiva e afetiva. Só deste modo é que os sacerdotes poderão viver em plenitude o dom do celibato e serão capazes de fazer florir comunidades cristãs onde se renovem os prodígios da primeira pregação do Evangelho. [...]
"Eu venci o mundo"
À Virgem Santíssima entrego este Ano Sacerdotal, pedindo-Lhe para suscitar no ânimo de cada presbítero um generoso relançamento daqueles ideais de total doação a Cristo e à Igreja que inspiraram o pensamento e a ação do Santo Cura d'Ars. Com a sua fervorosa vida de oração e o seu amor apaixonado a Jesus Crucificado, João Maria Vianney alimentou a sua cotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja. Possa o seu exemplo suscitar nos sacerdotes aquele testemunho de unidade com o Bispo, entre eles próprios e com os leigos, que é tão necessário hoje, como o foi sempre.
Não obstante o mal que existe no mundo, ressoa sempre atual a palavra de Cristo aos Seus Apóstolos, no Cenáculo: "No mundo sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo" (Jo 16, 33). A Fé no Divino Mestre dá-nos a força para olhar confiadamente o futuro.
Amados sacerdotes, Cristo conta convosco. A exemplo do Santo Cura d'Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis também vós, no mundo atual, mensageiros de esperança, de reconciliação, de paz.
(Excertos da Carta de Bento XVI para a Convocação do Ano Sacerdotal, de 16/6/2009)

EVANGELHO DIARIO

Primeira Leitura: Jeremias 31,1-7
Leitura do Livro do Profeta Jeremias:

1Naquele tempo, diz o Senhor, serei Deus para todas as tribos de Israel, e elas serão meu povo. 2Isto diz o Senhor: Encontrou perdão no deserto o povo que escapara à espada; Israel encaminha-se para o seu descanso.' 3O Senhor apareceu-me de longe: 'Amei-te com amor eterno e te atraí com a misericórdia. 4De novo te edificarei, serás reedificada, ó jovem nação de Israel; de novo teus tambores ornarão as praças e sairás entre grupos de dançantes. 5Hás de plantar vinhas nos montes de Samaria; os cultivadores hão de plantar e também colher. 6Virá o dia em que gritarão os guardas
no monte Efraim: 'Levantai-vos, vamos a Sião, vamos ao Senhor, nosso Deus`. 7Isto diz o Senhor: Exultai de alegria por Jacó, aclamai a primeira das nações; tocai, cantai e dizei: 'Salva, Senhor, teu povo, o resto de Israel.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus

Salmo Jr 31
Ouvi, nações, a palavra do Senhor e anunciai-a nas ilhas mais distantes:Quem dispersou Israel, vai congregá-lo, e o guardará qual pastor a seu rebanho!
R: O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.
Pois, na verdade, o Senhor remiu Jacó e o libertou do poder do prepotente.Voltarão para o monte de Sião, entre brados e cantos de alegria afluirão para as bênçãos do Senhor
R: O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.
Então a virgem dançará alegremente, também o jovem e o velho exultarão; mudarei em alegria o seu luto, serei consolo e conforto após a guerra.
R: O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.

Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 15,21-28
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus:
Naquele tempo: 21Jesus foi para a região de Tiro e Sidônia. 22Eis que uma mulher cananéia, vindo daquela região, pôs-se a gritar: 'Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim: minha filha está cruelmente atormentada por um demônio!' 23Mas, Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Então seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram: 'Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós.' 24Jesus respondeu: 'Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel.' 25Mas, a mulher, aproximando-se, prostrou-se diante de Jesus, e começou a implorar: 'Senhor, socorre-me!' 26Jesus lhe disse: 'Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos.'  27A mulher insistiu: 'É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!' 28Diante disso, Jesus lhe disse: 'Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!' E desde aquele momento sua filha ficou curada.
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor

Comentário ao Evangelho do dia feito por Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano
Sermão 9 (a partir da trad. Cerf 1979, t. 1, p. 36)
«Mulher, grande é a tua fé!»
«Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim!» É um apelo de uma força imensa. [...] É um gemido que vem como que de uma profundeza sem fim. Ele ultrapassa em muito a natureza e é o próprio Espírito Santo que deve proferir em nós esse gemido (Rom 8, 26). [...] Mas Jesus diz-lhe: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». [...] Ora, que faz ela assim acossada? [...] Penetra ainda mais profundamente no abismo. Prostrando-se e humilhando-se, mantém a confiança e diz: «É verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos.»

Ah! Se também pudésseis penetrar assim tão verdadeiramente no fundo da verdade, não através de comentários sábios, palavras complexas ou mesmo dos sentidos, mas no fundo de vós mesmos! Nem Deus nem qualquer criatura conseguiria desprezar-vos, aniquilar-vos, se permanecêsseis na verdade, na humildade confiante. Poderiam sujeitar-vos a afrontas, ao desprezo e a recusas grosseiras, que vós iríeis perseverar, iríeis insistir, animados por uma total confiança, e iríeis aumentar sempre o vosso zelo. É disto que tudo depende, e aquele que chega a este ponto é bem sucedido. Apenas estes caminhos conduzem, na verdade e sem qualquer estação intermédia, a Deus. Mas permanecer assim nesta grande humildade, com perseverança, com uma segurança total e verdadeira como esta pobre mulher o fez, são poucos os que conseguem.

 

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Jo 11,19-27 ou Lc 10,38-42 - 29/07/2010 (Santo do dia)

Oração do Dia

Pai todo-poderoso, cuho Filho quis hospedar-se em casa de Marta, concedei por sua intercessão que, servindo fielmente a Cristo em nossos irmãos e irmãs, sejamos recebidos por vós em vossa casa. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

1ª LEITURA

Leitura da Primeira Carta de São João

7Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. 8Quem não ama, não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor.
9Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. 10Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados. 11Caríssimos, se Deus nos amou assim, nós também devemos amar-nos uns aos outros. 12Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece conosco e seu amor é plenamente realizado entre nós. 13A prova de que permanecemos com ele, e ele conosco, é que ele nos deu o seu Espírito.
14E nós vimos, e damos testemunho, que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. 15Todo aquele que proclama que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece com ele, e ele com Deus. 16E nós conhecemos o amor que Deus tem para co­nosco, e acreditamos nele. Deus é amor: quem permanece no amor, permanece com Deus, e Deus permanece com ele.

SALMO DE RESPOSTA


— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo!

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!
— Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.
— Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.
— O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!
— Respeitai o Senhor Deus, seus santos todos, porque nada faltará aos que o temem. Os ricos empobrecem, passam fome, mas aos que buscam o Senhor não falta nada.

EVANGELHO

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João

Naquele tempo, 19muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão. 20Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa.
21Então Marta disse a Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele te concederá”. 23Respondeu-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. 24Disse Marta: “Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia”.
25Então Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. 26E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto?” 27Respondeu ela: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”.

Ou a escolha:

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas

Naquele tempo, 38Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra. 40Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!”.
41O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.


Comentário:
S. Marta – Memória Obrigatória : Jn 11,19-27

Comentário ao Evangelho do dia feito por Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África) e Doutor da Igreja

Sermões sobre o Evangelho de João, n° 49, 15

«Quem crê em Mim viverá»

«Quem crê em Mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em Mim não morrerá para sempre.» Que quer isto dizer? «Quem crê em Mim, mesmo que tenha morrido como Lázaro, viverá», porque Deus não é um Deus de mortos mas um Deus de vivos. Já a propósito de Abraão, de Isaac e de Jacob, os patriarcas há muito mortos, Jesus tinha dado aos judeus a mesma resposta: «Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob; não um Deus dos mortos, mas dos vivos, porque para Ele todos estão vivos» (cf. Lc 20, 38). Por isso, crê e, mesmo que estejas morto, viverás! Mas se não crês, mesmo que estejas vivo, na verdade estás morto. [...] De onde vem a morte da alma? Vem do facto de a fé já lá não estar. De onde vem a morte do corpo? Vem do facto de a alma já lá não estar. A alma da tua alma é a fé.

«Quem crê em Mim, mesmo que tenha morrido no seu corpo, terá a vida na sua alma até que o próprio corpo ressuscite para nunca mais morrer. E quem vive na sua carne e crê em Mim, embora tenha de morrer durante algum tempo no seu corpo, não morrerá para a eternidade, devido à vida do Espírito e à imortalidade da ressurreição.»

É isto que Jesus quer dizer na Sua resposta a Marta. [...] «Crês nisto?» «Sim, ó Senhor, respondeu ela, eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo. E, acreditando nisto, acreditei que és a ressurreição, acreditei que és a vida, acreditei que aquele que crê em Ti, mesmo que morra, viverá; acreditei que quem está vivo e crê em Ti não morrerá para a eternidade.»


Santa Marta (Santo do dia)

Viveu em:
Séc. I

Título:
Irmã de Lázaro

As Escrituras contam que, em seus poucos momentos de descanso ou lazer, Jesus procurava a casa de amigos em Betânia, local muito agradável há apenas três quilômetros de Jerusalém. Lá moravam Marta, Lázaro e Maria, três irmãos provavelmente filhos de Simão, o leproso. Há poucas mas importantíssimas citações de Marta nas Sagradas Escrituras.

É narrado, por exemplo, o primeiro momento em que Jesus pisou em sua casa. Por isso existe a dúvida de que Simão fosse mesmo o pai deles, pois a casa é citada como se fosse de Marta, a mais velha dos irmãos. Mas ali chegando, Jesus conversava com eles e Maria estava aos pés do Senhor, ouvindo sua pregação. Marta, trabalhadora e responsável, reclamou da posição da irmã, que nada fazia, apenas ouvindo o Mestre. Jesus aproveita, então, para ensinar que os valores espirituais são mais importantes do que os materiais, apoiando Maria em sua ocupação de ouvir e aprender.

Fala-se dela também quando da ressurreição de Lázaro. É ela quem mais fala com Jesus nesse acontecimento. Marta disse a Jesus: "Senhor, se tivesses estado aqui, o meu irmão não teria morrido. Mas mesmo agora, eu sei que tudo o que pedires a Deus, Deus dará".

Trata-se de mais uma passagem importante da Bíblia, pois do evento tira-se um momento em que Jesus chora: "O pranto de Maria provoca o choro de Jesus". E o milagre de reviver Lázaro, já morto e sepultado, solicitado com tamanha simplicidade por Marta, que exemplifica a plena fé na onipotência do Senhor.

Outra passagem é a ceia de Betânia, com a presença de Lázaro ressuscitado, uma prévia da última ceia, pois ali Marta serve a mesa e Maria lava os pés de Jesus, gesto que ele imitaria em seu último encontro coletivo com os doze apóstolos.

Os primeiros a dedicarem uma festa litúrgica a santa Marta foram os frades franciscanos, em 1262, e o dia escolhido foi 29 de julho. Ela se difundiu e o povo cristão passou a celebrar santa Marta como a Padroeira dos Anfitriões, dos Hospedeiros, dos Cozinheiros, dos Nutricionistas e Dietistas.

Fonte: Paulinas

terça-feira, 27 de julho de 2010

Lula sanciona Estatuto do Torcedor nesta terça-feira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sanciona nesta terça-feira (27), ao lado do ministro do Esporte, Orlando Silva, a lei que modifica o Estatuto do Torcedor. A partir da sanção, o vandalismo, a venda ilegal de ingressos e as brigas entre as torcidas serão considerados crimes. As punições variam de multa à prisão, de um a dois anos de reclusão.

De acordo com o texto aprovado pelo Congresso Nacional, todos os membros e associados das torcidas organizadas deverão ser cadastrados. Além disso, as entidades passam a responder civilmente pelos danos causados por qualquer um de seus associados nos estádios, a 5 quilômetros dos locais onde os jogos estão ocorrendo ou no trajeto. A torcida também pode ser impedida de comparecer aos jogos pelo prazo de até três anos ou ser obrigada a realizar algum tipo de trabalho social.

Outra mudança se refere aos estádios, que deverão manter uma central técnica de informações, ter uma arena com capacidade mínima para 10 mil torcedores (a legislação anterior fixava esse mínimo em 20 mil torcedores). Todos os eventos esportivos deverão ter infraestrutura suficiente para dar viabilidade ao monitoramento por imagem do público presente e das catracas de acesso aos estádios. A lei também prevê punição aos juízes que manipularem os resultados dos jogos.

O projeto do Estatuto do Torcedor faz parte do pacote de medidas do Ministério do Esporte, conhecido como Torcida Legal, lançado em março de 2009.

A cerimônia de sanção acontece às 11h30, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB).

Agência Brasil

Decreto regulamenta o Programa Um Computador por Aluno

O governo publicou hoje (27), no Diário Oficial da União, decreto que regulamenta o Programa Um Computador por Aluno (Prouca) e detalha as regras para compra dos equipamentos, com o Regime Especial de Aquisição de Computadores para Uso Educacional (Recompe). O programa já funciona de forma experimental desde 2008.
A compra será feita por licitação. O decreto prevê que as especificações técnicas dos equipamentos serão definidas pelos ministérios da Educação e da Fazenda, que também poderão determinar preço mínimo e máximo para os computadores. Na última licitação, o preço pago pelo governo por laptop foi R$ 550. De acordo com o MEC, o edital deve ser lançado em até três semanas.
Terão prioridade equipamentos que utilizem software livre e de código aberto, sem custos de licenças. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai oferecer uma linha de crédito de R$ 660 milhões para que estados e municípios comprem os laptops.
O Recompe prevê isenção de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), PIS/Pasep, Cofins, Imposto de Importação e da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para o vencedor da licitação.
Até agora, o governo comprou 150 mil computadores, que devem ser distribuídos a 300 escolas da rede pública até o fim de 2010. Os atuais computadores têm 512 megabytes de memória, tela de cristal líquido de sete polegadas, bateria com autonomia mínima de três horas e peso de 1,5 quilo.

Agência Brasil

Café com o Presidente

Apresentador: Olá, você, em todo o Brasil. Eu sou Luciano Seixas, e começa agora o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Olá, presidente, como vai? Tudo bem?

Presidente: Tudo bem, Luciano.

Apresentador: Presidente, o senhor sancionou a lei que cria o Estatuto da Igualdade Racial, na terça-feira passada. Qual a importância dessa lei?

Presidente: Olha, Luciano, primeiro, a importância da lei é garantir que neste país, a partir de agora, não exista nenhuma diferença entre negros e brancos. Na verdade, a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, transformado em lei, vem reforçar aquilo que a gente já tinha previsto na Constituição de 1988, fazer do Brasil uma República efetivamente democrática, em que todos, sem distinção, sejam tratados em igualdade de condições. O que é importante é que esse projeto levou mais de 10 anos para ser aprovado no Congresso Nacional. Foi um trabalho imenso. Eu lembro que na primeira Conferência da Igualdade Racial, eu chamava a atenção para todos os movimentos que representam a comunidade negra brasileira, de que era preciso que eles se unissem e que eles construíssem um único estatuto para que o Congresso pudesse aprovar. Porque enquanto tivesse vários pensamentos sobre estatuto no meio do movimento, ele se refletia no Congresso Nacional, e se refletindo divergências no Congresso Nacional seria muito difícil que fosse aprovado o Estatuto da Igualdade Racial. Então, a sabedoria do movimento e o aprendizado que nós tivemos nesses últimos anos, um trabalho muito forte do ministro Eloi (Elói Ferreira de Araújo – Ministro da Igualdade Racial) fez com que a gente construísse uma proposta única, sabe, que foi aprovada na Câmara e que foi aprovada no Senado. E isso então pôde ser aprovado, transformado em lei, sabe? Não é tudo que a gente quer, ainda faltam coisas pra gente fazer, mas é importante que a gente tenha a clareza que hoje nós temos o Estatuto da Igualdade Racial, nós temos uma lei que dá mais direitos, que recupera a cidadania do povo negro brasileiro. É importante a gente nunca esquecer que nós ficamos 380 anos, sabe, praticando escravidão neste país. O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão. Acho que nós temos uma dívida enorme com o Continente Africano, com o povo africano, é uma dívida que a gente nunca vai poder pagar em dinheiro, a gente vai poder pagar, sabe, em solidariedade, em ajuda humanitária, em ajuda ao desenvolvimento, em ajuda no conhecimento científico e tecnológico que o Brasil tem que ajudar o povo da África. E, assim como o Brasil, todos aqueles, sabe, que conseguiram crescer colocando em prática a política, eu diria, intolerável da escravidão, sabe? E, ao mesmo tempo, nós temos que agradecer sempre, ou seja, a miscigenação, a alegria, a bondade, o jeito da gente ser, o gostar do carnaval, o gostar de dançar, o gostar de futebol, sabe, o sorriso, o tratamento que a gente tem com todo mundo que frequenta o Brasil. É tão extraordinário que eu acho que tudo isso nós devemos, essa mistura fantástica entre negros, índios e europeus.

Apresentador: Você está ouvindo o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Presidente, na mesma ocasião o senhor sancionou a lei que cria a Universidade Luso Afro Brasileira. Como ela vai funcionar?

Presidente: Olha, eu penso que, nós já tínhamos criado a Universidade da América Latina, uma universidade que vai atender estudantes latino-americanos, com currículo latino-americano, com professores latino-americanos, pra contar a história da América Latina. Ou seja, no fundo, no fundo, é a maior contribuição que a gente pode dar à integração da América Latina. Eu fico sempre me perguntando, como é que Cuba, um país pobre, de apenas 11 milhões de habitantes, consegue ter universidades, sabe, que atende gente do mundo inteiro, e um país do tamanho do Brasil não pode ter? Nós vamos construir uma Universidade Luso Afro Brasileira na cidade de Redenção, no estado do Ceará, cidade esta que foi a primeira onde houve o movimento pela libertação da escravidão no Brasil. É uma universidade que nós pretendemos que ela tenha por volta de 10 mil alunos, 5 mil alunos africanos, e 5 mil alunos brasileiros. No início, a lei está aprovada para atender alunos dos países africanos de língua portuguesa. Eu acho que nós temos que ampliar para todo o Continente Africano, ou seja, para que a gente possa atender um pouco de aluno de cada país africano, para gente formar a capacidade intelectual, ajudar a formar engenheiros, médicos, enfermeiras. E essa universidade é pra isso, é pra gente formar profissionais, é pra gente fazer uma espécie de pagamento de tributos que nós temos com o Continente Africano, e ajudar o Continente Africano. Ou seja, é o Brasil assumindo a sua grandeza, é o Brasil assumindo, ou seja, a condição de um país que a vida inteira foi receptor e, agora, é um país doador. Ou seja, nós queremos ajudar os outros a desenvolverem. Por isso, eu fiquei extremamente feliz quando o Senado aprovou a criação da Unilab.

Apresentador: Muito obrigado, presidente Lula, e até a próxima semana.

Presidente: Obrigado a você, Luciano, e até a próxima semana se Deus quiser.

Apresentador: Você pode acessar este programa em www.cafe.ebc.com.br. O Café com o Presidente volta na próxima segunda-feira. Até lá.

Evangelho do dia

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus!

Glória a vós Senhor!

36 Então, tendo despedido a multidão, foi Jesus para casa. E chegaram ao pé dele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo. 37 E ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente, é o Filho do homem; 38 O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; 39 O inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. 40 Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. 41 Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. 42 E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. 43 Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.



Palavra da Salvação!

Glória a vós, Senhor!


Mt 13, 36-43 DEUS QUER QUE O AMEMOS!

Como sabemos, esta perícope é uma explicação dos versículos anteriores, em que Jesus conta uma parábola. Se estivermos bem lembrados, no Evangelho de ontem, falamos sobre a clareza nas pregações de Jesus, ao contar historinhas pedagógicas (parábolas). Entretanto, em algumas afirmações de Mateus, podemos ver que o sentido de Jesus contar parábolas era para que as pessoas ouvissem e não compreendessem. Não há uma contradição aí?

Bem, é certo que as parábolas de Jesus eram bem compreensíveis aos ouvidos da multidão que seguia Jesus, mas o evangelista salienta que muitos chefes de Israel não aceitavam o modo de falar do Mestre, e, por isso, eles ouviam as comparações de Jesus, mas recusavam-se a compreender, a assimilar.

O joio, uma planta considerada daninha para as plantações, confunde-se com o trigo, na sua primeira fase de crescimento. E Jesus usa essa comparação para alertar os seus ouvintes da importância de estar sempre atento às investidas impiedosas que o mundo oferece. O Mestre sabia que os seus seguidores eram vulneráveis, medrosos e, ao mesmo tempo, esperançosos. Sabia, também, que muitos iriam lutar para convencer os discípulos de que estavam seguindo a pessoa errada. Por isso ele conta essa parábola, para advertir os seus discípulos de que muitos obstáculos estavam esperando por eles.

Jesus ameaça aqueles que querem destruir o seu projeto, mas é uma ameaça para dissuadi-los de levar a cabo tais atos. Jesus não quer ser vingativo, nem castigador, mas quer ter o maior número possível de seguidores que creiam num Deus capaz de amar incondicionalmente, sem nada em troca: sem sacrifício, sem promessas, sem aniquilação da pessoa humana. Um Amor que assusta!

Muitos pregadores só usam a última parte dessa passagem para assustar e alienar os fiéis. Tiram a passagem de seu contexto para ameaçar as pessoas, para amedrontá-las e, consequentemente, para dominá-las, assim fica mais fácil tirar delas tudo o que quiserem. Os crentes em Deus devem ficar atentos: Jesus nos apresenta um Deus de Amor, puro Amor. Agora, um Deus-Amor mata e destrói? Um Deus-Amor toma todo o dinheiro do pobre? Um Deus-Amor exclui muitos de seus filhos, para favorecer apenas aqueles que pagam o dízimo? Pensemos nisso. E essa não é uma crítica a uma ou outra religião, mas a todas as religiões que usam a bíblia para oprimir e explorar!

A última parte dessa explicação parabólica deve ser posta em seu contexto. Os evangelistas viveram quando Jesus já havia morrido e ressuscitado. Havia algumas perseguições aos novos cristãos, e por isso a ameaça é posta no final do discurso de Jesus para dar esperanças a esses fiéis perseguidos: pois haverá uma recompensa para aqueles que permanecerem inabaláveis diante das perseguições!

Amemos sem querer nada em troca! Deus prefere que nós o amemos, e não que o temamos, amedrontados em um cantinho qualquer! Nós mesmos devemos extirpar (arrancar pela raiz) o joio de nossos corações, e é esse o objetivo da vinda de Jesus em nosso meio!


Mt 13, 36-43 – DEUS QUER QUE O AMEMOS!